Crise financeira: bolha de crédito já é uma realidade no Brasil

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Depois de muito se falar em Bolha Imobiliária, que vai estourar, murchar, que vai acontecer, que muitos já acham que está acontecendo, é realmente uma dúvida, mas certeza mesmo é a de crédito, essa é uma realidade, e acredite, vai piorar.

Muito se fala na bolha imobiliária, baixo reajuste salarial, alta na taxa de desemprego, inadimplência, aumento da taxa SELIC, e consequentemente a falta de crédito. O que gera muita insegurança em todos os setores da economia brasileira. Vamos deixar de lado, por esse momento, os rombos nos cofres públicos, problemas políticos e focar na bolha de crédito.

Ao analisar os problemas financeiros do Brasil, podemos encontrar muitos culpados pela projeção ruim do crescimento previsto para esse ano. No entanto essa mentalidade nos tira do foco dos verdadeiros problemas, e ofusca as consequências que está acontecendo e que: o momento ainda pode ser pior, uma vez que a bolha de crédito, está estourando aos poucos, e toda a roda da economia perde com isso. A economia precisa ter um equilíbrio dinâmico para que todos possam ganhar, e isso não está acontecendo no Brasil.

dinheiro-600x500Para comprar as pessoas usam do seu próprio dinheiro e dinheiro emprestado. Aqui está um problema, que favorece a quem empresta dinheiro: o crédito. Só para começar a esclarecer o problema da falta de crédito (bolha de crédito), no Brasil são aproximadamente 57 milhões de inadimplentes, ou seja, 40% das pessoas adultas estão inadimplentes (não tem dinheiro para pagar suas contas). Pessoas que compraram produtos ou serviços e não tem hoje condições de pagar o que deve. Se um conjunto muito grande de pessoas não pagar o banco, falta dinheiro no para novos empréstimos, e consequentemente a taxa de juros aumenta. O cenário piora um pouco, pois a única solução encontrada geralmente quando falta dinheiro é recorrer a outros empréstimos, por exemplo em nome de terceiros, usar limites de cheque especial, outras linhas de crédito ainda disponível. Isso mostra o comportamento de uma população que não é educada financeiramente, por que essas soluções só resolvem o problema no momento, e em pouco tempo, se não houver mudança de hábitos, a inadimplência volta acontecer.

É importante que você conheça algumas letrinhas que fazem o dinheiro crescer ou diminuir. Uma delas por exemplo é a SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) que atualmente está em 12,15% ao ano. Mas o que a SELIC influência na falta de crédito? O que a SELIC impacta em sua vida?

O que faz o governo?

O Governo pega emprestado dinheiro dos bancos e também dos brasileiros, através dos Títulos Públicos (Tesouro Direto). Esse dinheiro empestado para o Governo foi usado para quitar a dívida externa, e agora passou a ser uma dívida interna (de alguns trilhões). Não podemos esquecer que o dinheiro do Tesouro Direto é também usado para o desenvolvimento do País, esse é o lado bom e você pode se beneficiar comprando títulos públicos. Com as mudanças recentes da economia, e aumento da inflação, o Governo precisa urgentemente colocar em prática uma política para a redução da inflação e dentre várias medidas tomadas, uma delas é o aumento da taxa SELIC.

Com o aumento da SELIC, o governo pega mais dinheiro emprestado nos bancos oferecendo em troca uma taxa mais atrativa, o que gera mais lucro, segurança e liquidez para os bancos. O que também diminui a quantidade de dinheiro nos bancos para emprestar às pessoas. Com menos dinheiro em caixa e alta inadimplência, o bancos não tem outra alternativa senão, aumentarem a taxa para empréstimo (lei da oferta/procura). Com menos dinheiro em circulação, os comerciantes tendem a abaixar os preços de suas mercadorias e serviços. Com isso o Governo espera que a inflação (alta generalizada dos preços) reduza. Mas lembre-se essa é apenas uma das dezenas de estratégias que é usada na política de redução da inflação.

O momento atual

Após 20 anos de estabilidade econômica, considerando o fato de que em 1994 tínhamos uma inflação de mais de 2400% ao ano, e em 2015 tomando como base o IPCA temos 6,7% ao ano, é compreensível que o brasileiro iria consumir mais, pois aumentou o poder de compra. Aliado a essa estabilidade vem a facilidade de crédito, que faz com que muitas pessoas pensem que melhorou o seu padrão de vida, pois consegue comprar mais. No entanto, o que temos é que cada vez mais aumento do percentual de renda comprometida com o crédito, o que leva a aumentar o risco da nova classe C voltar para D ou até mesmo ir para E, já que o inadimplência aumenta a cada dia.

Nesse momento, o importante não é procurar culpados – SELIC, bancos, Governo, marketing publicitário, crédito fácil, cenário econômico ou até mesmo os resultados da última eleição – , mas resolver a questão antes que o buraco seja maior. Mas como? Invista em educação, principalmente em sua educação financeira, adotando de forma gradativa novo comportamento, entendo a real relação da sua vida com o dinheiro em busca da sua sustentabilidade financeira, evitando o consumo excessivo, que nos levou a essa bolha de endividamento. Assim espero que o poder de compra sempre aumente, mas de forma gradativa, consciente e sustentável financeiramente.

Com informações via Portalcentrooeste

 

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Um comentário

  1. O Brasil encontra-se em uma situação econômica bastante delicada. A inflação prevista para este ano está em torno de 9% e o produto deve cair mais de 1%. Em abril, a produção industrial ficou 7,5% abaixo de seu valor no mesmo mês de 2014. O emprego reduz-se rapidamente e a produtividade permanece estagnada ou mesmo em declínio. O ajuste fiscal em curso poderá impedir o afundamento do barco, mas nada indica que o rumo posterior será o do crescimento.

    Surpreendentemente, alguns analistas encaram a situação atual com certo otimismo. Os péssimos números acima constituiriam apenas o preço a pagar para se corrigir os graves problemas e distorções criados pela fracassada “Nova Matriz Econômica”. A alta inflação decorreria de uma mera correção de preços relativos, causada pela revisão de preços administrados artificialmente controlados durante o ano eleitoral, não havendo risco de se perpetuar. A recessão seria passageira, um remédio amargo necessário para inibir repasses de custos em reação aos novos preços administrados. O ajuste fiscal em curso recolocaria o país nos trilhos, sendo suficiente para assegurar uma sólida e consistente recuperação.

    Infelizmente, não há motivos para otimismo no curto, nem no médio, e muito menos no longo prazo. Somente com reformas muito mais amplas e profundas do que as que estão sendo anunciadas e (parcialmente) implantadas pelo governo se poderia vislumbrar uma retomada da economia ainda no atual mandato presidencial. A resistência de grupos organizados a qualquer mudança que afete seus interesses, bem como as contradições internas de um governo politicamente fraco, impedem a adoção de reformas capazes de recolocar o país numa trajetória de crescimento sustentável. Reformas estruturais exigiriam visão e liderança, algo de que o atual governo carece.

    País flerta perigosamente com a mediocridade e políticos, analistas e economistas parecem conformados

    Começando pelo curto prazo, não há dúvida de que o ajuste fiscal é necessário, pois os resultados de 2014 – déficit primário de 0,6% do PIB e nominal de 6,7% – eram insustentáveis. Se mantidos, esses números levariam ao crescimento explosivo da dívida pública, dívida que deverá alcançar 65% do PIB neste ano, dez pontos percentuais acima do observado em janeiro de 2010. As despesas do governo central aumentaram cerca de dois pontos percentuais do PIB desde 2010, ou algo em torno de 10% em relação ao já elevado patamar daquele ano. As tentativas de conter gastos até agora foram tímidas e parcialmente mal sucedidas, encontrando pouco apoio dentro da própria coligação governamental. Grande parte do corte constitui adiamento de despesas. Em termos reais os gastos públicos provavelmente continuarão se expandindo neste e nos próximos anos.

    Tudo indica que o maior ajuste se dará via aumento de impostos. Dado que a carga tributária brasileira já alcançou nível bastante alto – 36% do PIB -, uma elevação adicional impõe novo entrave aos negócios e ao bem-estar dos cidadãos, com impacto adverso sobre o crescimento. A estrutura tributária brasileira, que já é excessivamente complexa e distorciva, diante do atual clima de urgência que torna bem-vindo “qualquer tipo de ajuste”, tende a se tornar ainda mais casuísta e nossa colcha de retalhos tributária ficará ainda mais retalhada.

    Não se descarta a reintrodução da CPMF, um imposto muito ruim e extremamente distorcivo, mas que atrai nossos gestores públicos pela sua facilidade de arrecadação. Assim, o melhor cenário de médio prazo consistiria em uma economia com superávit primário suficiente para manter estabilizada a razão dívida/PIB, mas obtido mediante uma carga tributária maior e pior. Mais impostos e mais distorções implicam menos investimentos, pior alocação de recursos e baixo crescimento. Não há motivo para qualquer otimismo, mesmo a longo prazo: mesmo se o ajuste der certo, o país permanecerá estagnado.

    Como já reiterado várias vezes neste espaço, a baixa renda per capita brasileira resulta de uma infeliz combinação de baixo nível educacional com alta ineficiência generalizada na alocação dos recursos empregados na produção. Muitas das reformas necessárias para o desenvolvimento foram interrompidas e mesmo revertidas a partir de 2008. O ambiente econômico está pior do que estava naquele momento. E não há sinal de melhoria: continuam as mesmas as políticas de conteúdo nacional, a enorme burocracia, o uso político dos bancos públicos e empresas estatais, a interferência política nas agências regulatórias, a má regulação e intervenção atrapalhada nos setores de petróleo e de energia elétrica, as enormes barreiras comerciais e o Banco Central ainda padece da mesma vulnerabilidade política, para citar apenas algumas das mazelas que afetam a produtividade no país e afligem aqueles que se aventuram a empreender.

    Agravando o quadro, mesmo que muitas destas reformas sejam levadas a cabo, o efeito final de longo prazo será limitado pela péssima qualidade da educação, um campo onde pouco se avançou nos últimos dez a vinte anos.

    O Brasil flerta perigosamente com a mediocridade e seus políticos, analistas e economistas parecem conformados com isso. Uma vez mais o país escolhe a direção onde há menor resistência política no curto prazo, aceitando como imutáveis os interesses particulares que perpetuam um equilíbrio microeconômico de baixo crescimento. Talvez esteja na hora de pensar fora desta caixa, propondo alternativas, rupturas e soluções um pouco mais radicais, dado que o atual contrato social não está funcionando. O ajuste em curso poderá levar em alguns anos a inflação à meta, mas sem reformas mais profundas a renda per capita pouco crescerá.

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